As águas dos rios do município de Bom Jesus do Itabapoana, no Norte Fluminense, não apresentam riscos à saúde da população. Técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) vistoriaram o rio após o vazamento de produto da Mineradora Samarco, ocorrido na cidade de Espera Feliz, em Minas Gerais, na madrugada do último domingo (25/07). Não foi detectada qualquer anormalidade com relação à qualidade da água e, por isso, não será necessário suspender sua captação para fins de abastecimento.
Uma equipe foi deslocada para o município para apoiar um grupo de técnicos da Regional do Inea de Campos, que já realizava o monitoramento dos rios da região, pois havia risco de o minério atingir o Rio Itapaboana, o que não ocorreu. De acordo com o presidente do Inea, Luiz Firmino, a turbidez e a coloração da água no ponto de captação da Cedae estão normais, o que indica que nenhum abastecimento será inviabilizado na região. O estado do Rio de Janeiro corre ainda um pouco de risco, enquanto a limpeza não terminar.
“Algumas barreiras foram montadas nos rios Sebastião e São João, que são dois córregos que levam até o Itabapoana. Pela nossa inspeção, que aconteceu de helicóptero, o material ficou contido. Quando um tubo desse rompe, acaba desligando o bombeamento, então o vazamento para, mas escorre tudo aquilo que estava dentro do tubo e esse material ficou contido nas barreiras. O risco não está 100% afastado, porque há possibilidade de chuva forte”, afirmou Firmino.
O Rio Itabapoana corta quatro municípios do Norte e Noroeste fluminense, passando também por Bom Jesus de Itabapoana e pelo norte do município de Campos e deságua no mar de São Francisco de Itabapoana. O mineroduto – tubulação que transporta o minério – sofreu vazamento no trecho que passa sob o Rio São Sebastião, que deságua no Rio Itabapoana. A bacia do Itabapoana drena uma área de 4.875 km² nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, abrangendo 18 municípios.
“No ano passado, cinco técnicos do Inea passaram uma semana em Minas, vistoriando barragens em locais onde há uma série de atividades de extração mineral e vários tanques de contenção de depósito de materiais. Tivemos que fazer uma inspeção conjunta. Outra medida que tomamos foi a gestão de bacias hidrográficas e a política nacional de recursos hídricos, que define que o Rio de Janeiro não tem fronteiras. Não se sabe onde termina Minas e começa o Rio. Existe uma gestão integrada”, explicou o presidente do Inea.
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