Vovô prefeito sem preconceito Depois de construir estátua em sua própria homenagem e inspirar banda de rock em Itaperuna, no Noroeste do Rio, Claudão, 91 anos, o mais idoso do estado, agita a cidade com o mais novo secretário, um homossexual assumido POR MARIA INEZ MAGALHÃES
Rio - Em Itaperuna não se fala em outra coisa. A novidade da hora do ‘Prefeito-Highlander’ é um secretário gay. Claudio Cerqueira Bastos, o Claudão, 91 anos — gestor mais idoso do estado e o segundo mais velho do Brasil —, que já ergueu estátua em própria sua homenagem, copiou o Cristo Redentor e inspirou banda de rock, empossou um homossexual assumido na pasta de Turismo, Indústria e Comércio. O escolhido é Marcelo Nascimento, 34. Polêmica? O vovô prefeito não quer saber de preconceito.
Marcelo (E) e Claudão: prefeito mais idoso do estado não teme críticas à opção sexual do mais novo secretário. ‘Quero saber é da qualidade dele’ | Foto: Divulgação
“Procurei secretários com vontade de tirar esse ritmo de antiguidade da cidade. Não quero saber de nada lá para trás. Quero saber o que a gente tem pela frente”, ensina Claudão, garantindo não se importar com que falam do secretário e muito menos com a opção sexual das pessoas. “Cada um sabe o que faz. O que eu quero saber é da qualidade dele (Marcelo)”, ressaltou.
Marcelo define Claudão como um homem moderno e tradicional ao mesmo tempo. “Ele mantém sua história olhando para frente. É difícil uma pessoa com a idade dele ter a mente aberta. Quem está à frente de uma cidade precisa saber que ela precisa avançar”, elogiou. Marcelo passou temporadas no Rio e em São Paulo trabalhando com moda. Mas a saudade de Itaperuna bateu mais forte e ele voltou há alguns anos, criando uma revista especializada, da qual é editor.
Para a secretária de Governo e filha de Claudão, Claudete Cerqueira, o amor do pai pela cidade faz com que ele aceite novas ideias. “Papai está sempre aberto a elas, desde que tragam benefícios. Quando existe amor, nada segura”, filosofou.
Apesar da idade, Claudão é bem-humorado e disposto, o que lhe rendeu o apelido de Highlander — o guerreiro imortal vivido em trilogia no cinema por Christopher Lambert. Ele acorda às 6h mas só vai para a prefeitura despachar no gabinete depois de fiscalizar obras. Apesar de vencer duas pneumonias antes da posse, garante que não tem segredo para a vitalidade.
“Minha comida é normal, caseira”, disse ele, logo interrompido por Marcelo. “Mas toda noite come uma fatia de pizza!”, entregou.
No quarto mandato, ele avisa que não vai mais se candidatar. “Não vou ter condição. Vou é esperar Ele (Deus) me chamar... Enquanto isso vou dando um passeiozinho por aqui”, planeja, às gargalhadas.
É possível conhecer Claudão andando por Itaperuna. Suas marcas — e polêmicas — estão por toda a cidade. A mais popular é a estátua em tamanho natural que mandou construir na ponte que ergueu. A via, aliás, é outra prova de amor-próprio e também leva o seu nome. O monumento em vida repete gesto rotineiro de Claudão: um aceno.
Outra é o Corcel 74 que fica parado na porta de sua casa. Em homenagem a ele, há na cidade um grupo de rock que leva o nome de Corcel 74. A urbanização que transformou o Centro da cidade também é obra de Claudão.
Para ele, seu principal feito foi a construção da Estátua do Cristo, no alto da cidade, que só perde em tamanho para a do Rio: “Foi promessa. Meu filho ficou doente e foi curado”.
Ao contrário do que foi publicado neste domingo, o prefeito Claudio Cerqueira Bastos não ergueu a estátua em sua homenagem. A obra foi uma manifestação popular; ele foi responsável apenas pela construção da ponte.
"Meu pai é um homem simples, ele jamais faria uma coisa dessas. A estátua foi feita pelo povo em sua homenagem", disse Claudete Cerqueira, chefe do gabinete do prefeito.
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Comentários
A Estátua segundo construtores da ponte e antigos funcionários, foi por ordem indireta do Claudão aos subordinados por julgar q merecia, mas devido as muitas criticas, ficou como um presente do engenheiro. O Povo de Itaperuna nunca aceitou essa estátua feita em vida, que sempre serviu de chacota.
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